
Editorial
O mundo muda antes da cotação
O manifesto inaugural do Momento Atual: por que economia, política e mercados precisam ser lidos juntos — e o que isso muda nas decisões de quem vive em um mundo conectado.

A economia brasileira encerra a primeira semana de março de 2026 com um tabuleiro desenhado sob medida para o Banco Central. O conjunto de indicadores divulgados nos últimos dias combina mercado de trabalho resiliente com inflação que, embora persistente, não apresenta surtos. E consolida a tese de que o Comitê de Política Monetária (Copom) pode abrir espaço para o início da flexibilização, embora a persistência da infla ção acima do centro da meta exija que o processo seja conduzido com cautela.
Segundo a analistas, a bússola da Selic aponta para um corte inicial de 0,25 p.p. na reunião deste mês. O movimento deve s er pautado pela cautela, uma vez que a atividade econômica dá sinais de vida, mas ainda sem fôlego para gerar um super aquecimento inflacionário. Um corte de 0,50 p.p. não pode ser descartado, mas ficou menos provável.
Atividade Econômica: Recuperação em “Banho-Maria” Os dados de atividade mostram que o Brasil cresce, mas sem pressa. O PIB registrou uma alta tímida de 0,1% no trimestre (1,8% anual), o que retira do Copom a preocupação com um excesso de demanda que pudesse pressionar os preços.
Inflação e Emprego: Equilíbrio de Forças A deflação do IGP-DI (-0,84%) traz um alívio importante nos preços ao produtor, mas o Copom mantém o foco nos núcleos do IPCA, que ainda mostram resistência. A variação do IPC-Fipe (0,25%) confirma que, no varejo, a convergência para a meta de 3% ainda é um processo em curso.
Veredito para Março: O Que Mudou? Desde a semana passada, praticamente nada se alterou na dinâmica estrutural, o que é uma excelente notícia para a previsibilidade do mercado. O Copom deve manter a rota de um corte gradual, provavelmente de 0,25 p.p., sinalizando que a “porta está aberta”, mas que a descida da Selic será feita degrau por degrau.
Fatores de cautela que impedem cortes maiores (0,50 p.p.):
O Copom está diante de um cenário de cert a forma favorável para começar a cortar juros. Mas a incerteza geopolítica global, especialmente as tensões no Oriente Médio, atua como um “freio de mão”, elevando o prêmio de risco e exigindo que o Banco Central mantenha uma postura de parcimônia e prontidão para reagir a eventuais choques cambiais.
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